Gilmara Bueno
Psiquiatra e CEO da JuntaMente
No competitivo mercado atual, a segurança do trabalho no Brasil acaba de elevar o seu patamar. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) não é apenas uma mudança técnica; é um marco estratégico. Ao incluir a saúde mental e o mapeamento de riscos psicossociais no radar das empresas, o legislador alinhou o Brasil às práticas de gestão mais lucrativas e modernas do mundo. Para os empresários alinhados com as novidades do meio corporativo, a conformidade com a nova NR-1 vai muito além de evitar multas ou sanções. O verdadeiro ganho está na blindagem da produtividade.
O descumprimento dessa norma hoje representa um risco invisível que deteriora o clima interno, afasta os melhores talentos para a concorrência e gera custos altíssimos com processos trabalhistas e substituição recorrente de pessoal.
A nova norma exige que a liderança ocupe um papel central. Treinar quem comanda equipes não é custo, mas, sim, o fortalecimento de um ativo estratégico. Líderes capacitados para identificar sinais precoces de estresse e sobrecarga transformam o ambiente de trabalho em um motor de eficiência, reduzindo o absenteísmo e aumentando o engajamento genuíno.
A mudança cultural é clara: ser uma empresa bem–sucedida hoje significa operar de forma sustentável. Talentos de alta performance não buscam mais apenas salários; eles buscam ambientes que ofereçam flexibilidade, autonomia e segurança psicológica. Inspirar-se em modelos de sucesso como os da Dinamarca e da Finlândia é entender que o trabalho deve ser o meio para o bem-estar, e não uma atividade que consuma de forma excessiva o tempo dos seus colaboradores.
Dados da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) indicam que cerca de 30% a 32% dos trabalhadores brasileiros sofrem com Burnout, com o país ocupando o segundo lugar mundial em incidência, atrás apenas do Japão.
A nova NR-1 é, na verdade, o convite para que as empresas coloquem a vida no centro da estratégia, garantindo, assim, de forma natural, mais produtividade e, por conta disso, um negócio mais saudável e mais rentável.
Artigo publicado no jornal O Pioneiro em 19 de março de 2026.